Para ser caridoso é preciso ser generoso

(Alexandre Pelegi)

Pular sete ondas, atirar flores para Iemanjá, vestir branco, guardar sementes de romã na carteira… Simpatias, atos explícitos da religiosidade brasileira ou simplesmente babaquice?

O brasileiro é um povo religioso, que acredita em forças sobrenaturais geradas a partir de uma fé descomunal. O brasileiro, enfim, crê. E por acreditar, desenha futuros menos dolorosos que o presente que vive.

Mas tem muito brasileiro que descrê da fé alheia. É preconceituoso. Só admite como única e verdadeira a sua religiosidade. Apenas seus cultos são atos de contato com o além, com a força maior. Tal descrença na crença alheia define um sentimento mesquinho e nada religioso, que veste de arrogância o que deveria ser a matriz de qualquer religião: a caridade.

Para ser caridoso é preciso, antes de qualquer coisa, ser generoso. É preciso aceitar o outro como ele é, para com ele estabelecer uma convivência assentada no amor. Não é possível ser caridoso enquanto se é arrogante. A caridade pressupõe a humildade.

Muitos de nós continuamos acreditando que a caridade é um ato material. Uma doação que se faz, de quando em vez, de gêneros alimentícios ou dinheiro. E como muitos ficam caridosos no fim do ano, já reparou? Para esses, caridade não precisa de consciência, basta o talão de cheques…

Que em 2010 pensemos mais em caridade e menos em religião; ao mesmo tempo em que cultuemos nossas crenças e fortaleçamos ainda mais nossa fé. Como cantou Gilberto Gil, “minha ideologia é o nascer de cada dia, e minha religião é a luz na escuridão”.

Que esta luz nos ilumine a todos e, no lugar de preconceitos, nos traga caridade.

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