Atualmente, encontramos todo tipo de empresa vendendo todo tipo de produtos e serviços, a qualquer hora do dia, em qualquer lugar do planeta, a qualquer preço e de todas as maneiras possíveis. Mas, algo está cada vez mais difícil de ser encontrado . o cliente. Enquanto algumas empresas lutam pela sua preferência, outras não estão conseguindo nem mesmo chamar sua atenção para aquilo que produzem. Por quê? Vejamos, a seguir, o fenômeno da poltrona.
Com o crescimento da Internet, as pessoas desenvolveram o hábito de não sair mais de casa. Afinal, elas podem fazer e comprar tudo, sentados, confortavelmente, em suas poltronas, pela tela do computador, celular, TV a cabo e, futuramente, pela TV digital, microondas e porta da geladeira. Por que elas se dariam ao trabalho de visitar sua empresa ou loja? Agora é a montanha que vai a Maomé. Já é possível organizar até casamento pelo computador.
Os noivos podem disponibilizar sua lista de casamento em algum site para os convidados, comprar os móveis da casa, encomendar o buffet, reservar passagens, hotéis e passeios da lua-de-mel. Depois, podem armazenar as fotos em algum fotolog, contar todas as histórias da viagem, a cada minuto, num blog* e, ainda por cima, permanecer on-line pelo celular, Blackberry ou laptop, via Wi-Fi ou Wimax. Até a noiva pode ser encontrada em alguma sala de bate-papo, comunidade virtual ou algum mundo cibernético paralelo. Tudo isso sem sair da poltrona.
Mas, todo avanço tecnológico provoca uma mudança nas relações humanas, na sociedade e, conseqüentemente, no mercado. Toda essa parafernália tecnológica, excesso de informações e opções provocam isolamento, distração e desatenção. Experimente mandar seu filho, adolescente, fazer a lição de casa, enquanto ele está com um celular num ouvido, um mp3 player no outro, digitando mensagens instantâneas no computador, lendo as páginas virtuais e blogs* dos amigos, jogando videogame, assistindo um filme em DVD e ainda acompanhando o jogo do seu time preferido numa telinha PIP (Picture-In-Picture). Tudo ao mesmo tempo! Simplesmente, impossível.
E se você não tem a atenção do seu filho (cliente), quem termina ficando de castigo é você. Costumo chamar essa geração de .Turma do ANNRRÃ.. Você fala, fala e esperneia. Como resposta, eles dizem: .ANNRRÃ! Já vou.. E aí voltam para o que estavam fazendo. Mas, as empresas já estão tão preocupadas, ou mais desesperadas do que você. Elas já aprenderam que se não tiverem a atenção de seu filho, e de tantos outros potenciais clientes, não terão audiência para seus produtos, e estarão fritos. Até a Rede Globo fecharia as portas, se ninguém resolvesse mais sintonizá-la. Talvez não seja à toa que Didi venha dizendo .Ô, da poltrona! Ei, psit!., há tantos anos, para chamar atenção dos .ANNRRÃs!!!..
Segundo o dicionário, audiência significa audição, público, atenção que se presta a quem nos fala. Quem não tem audiência não tem público consumidor, e não tem negócio. Alguém aí já ouviu falar de um tal Ibope? Todas as emissoras de TV e rádio disputam cada pontinho do Ibope, cada milésimo de atenção dos telespectadores e ouvintes. O curioso é que o próprio Ibope, foi criado, em 1942, por Auricélio Penteado, dono da rádio Kosmos, de São Paulo, que aplicou algumas técnicas de pesquisas desenvolvidas por George Gallup, e acabou descobrindo que sua emissora era uma das piores em termos de audiência, naquela época. Contrariado, resolveu montar uma empresa de pesquisas. Sorte a dele!
A falta de audiência dos .da poltrona. é tão grave que as próprias emissoras estão preocupadas. Por quê? Falta de recursos. Os telespectadores não vêem mais os .comerciais., também conhecidos por reclames. Eles saltam entre as dezenas de canais disponíveis na velocidade de um clique de controle remoto, ou do mouse. Em virtude da Internet, muitos não estão mais nem assistindo televisão. Qual está sendo a solução? Fazer publicidade na Internet, ações de buzz marketing (marketing viral) e merchandising nos filmes. Reclamar é que não adianta. Afinal, ninguém tem mais tempo e ouvidos para reclames… .ANNRRÃ!!!.
Recentemente, a Microsoft, também preocupada com a futura falta de audiência para seus softwares, fez uma oferta hostil de compra de ações à empresa Yahoo!. Ela também já descobriu que o futuro não está nos softwares, mas nos .clienteswares., ou .poltronawares., que clicam a cada segundo no Google, em busca de produtos, serviços e informações. Tudo agora é digital, inclusive, o boca-a-boca dos clientes. A qualquer hora, algum formador de opinião ou adolescente que tem mais audiência do que você, ou sua empresa, pode detonar seu futuro em algum blog*. Até a Coca-Cola teve que voltar atrás, quando resolveu mudar o sabor do refrigerante sem a permissão de sua audiência.
Portanto, só tenho uma coisa a dizer: .Ô, da poltrona! Levanta daí já e comece hoje uma nova estratégia para elevar seu Ibope.. Não adianta mais dizer que tem o melhor produto no mercado. Eles dirão .ANNRRÃ!!!.. Sem a atenção e o interesse de seu público, seus produtos ficarão empoeirados na prateleira. Agora entendo quando as pessoas falam: .Eu nunca encontrei um entrevistado do Ibope.. Mas, claro! Não vai encontrá-lo mesmo. Ele não sai na rua, porque está sentado na poltrona. Quem não tem atenção dos clientes, não tem audiência e, principalmente, preferência. Pense nisso… .ANNRRÃ!!!!!!.
*Por falar em blog, criei um novo blog de vendas de segurança para os vendedores que precisam de mais informações, dicas, conhecimentos e cases de vendas. Acessem: http://blog.consultesousa.com/.
Ô, da poltrona! Boa Sorte!
Marcos Antonio de Sousa
Atenciosamente,
Carlos Fonseca
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